Conheça a História das Mulheres Militares na FAB

Saiba como começou a História das Mulheres Militares na Força Aérea Brasileira - FAB 

Oficiais Aviadoras Femininas em um Helicóptero Black Hawk da FAB
Há 35 anos, começou a história das Mulheres Militares na Força Aérea Brasileira (FAB), a qual abriu as portas para o ingresso de delas em diversas especialidades. A instituição vem aumentando, desde 1982, o número de representantes do sexo feminino - atualmente com mais de 10 mil Militares - totalizando 16% do efetivo da Força. Na FAB, elas já alcançaram o posto de coronel e hoje ocupam cargos desde a área administrativa até a operacional, ajudando a garantir no céu brasileiro a soberania do País.

Era 1982 quando elas, pela primeira vez, vestiram a farda azul. Minas Gerais e Rio de Janeiro foram palco desse marco na história da FAB. Foi por meio do Quadro Feminino que as mulheres ingressaram na instituição. Em Belo Horizonte, elas se tornaram sargentos. Já a capital fluminense viu nascer a primeira turma de aspirantes a oficial.

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De lá para cá, 35 anos se passaram e as formas de ingresso para mulheres só aumentaram. Hoje são mais de 10 mil militares do sexo feminino compondo as fileiras da FAB. São médicas, pedagogas, aviadoras, bibliotecárias, contadoras, dentistas, controladoras de tráfego aéreo, mecânicas. A lista de especialidades é extensa: todas as escolas da Aeronáutica, hoje, recebem mulheres.

O pioneirismo, carregado de desafios, fez parte da história de muitas militares da FAB. Agora, elas contam como é a experiência de pertencer a alguns dos principais momentos conquistados pelas mulheres dentro da Força Aérea.

Primeira Turma de Mulheres na FAB - 1982
DNA militar

Foi no Quadro Feminino de Oficiais (QFO) que a Tenente-Coronel Débora Coelho Duarte fez sua carreira. Filha de um sargento enfermeiro da FAB e nascida no hospital da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), ser militar aparentava fazer parte de seu destino. A propaganda do primeiro concurso para ingresso de mulheres na Força Aérea veio por meio da mãe. “Eu era recém-formada em Psicologia e abracei a oportunidade. O melhor lugar para exercer minha profissão foi criado e parecia reservado para mim. Superou todos os meus sonhos”, destaca a militar, hoje na reserva.

Nos primeiros contatos com o curso, a Tenente-Coronel conta que a motivação dos instrutores contagiou toda a turma. “Por ser muito jovem, não tinha a noção de estar fazendo história na FAB. Eles instalaram em nós o desejo de fazer a diferença, marcar presença, somar. Fui uma aluna vibradora, uma aspirante e militar da ativa comprometida e sou uma oficial da reserva realizada”, revela.

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A Militar acredita que a entrada das mulheres causou estranheza na época. “Vivemos, no início, uma fase de adaptação pessoal e institucional (da FAB para conosco). Acredito que houve melhoras e que a presença feminina não cause mais estranheza. Temos demonstrado nossa competência e profissionalismo. A confiança foi conquistada e constata o acerto da FAB ao admitir mulheres em suas fileiras. Sou imensamente grata pela oportunidade. Valeu a pena”, ressalta.

Primeira Turma de Graduadas da FAB
Para realizar o desejo de ingressar na FAB, no Quadro Feminino de Graduadas (QFG), a jovem enfermeira Márcia Regina Ferreira enfrentou um conflito familiar e acabou expulsa de casa. “O conceito era de que militarismo era coisa muito séria e para os homens”, explica a Suboficial Márcia, atualmente na reserva. Ela conta que até mesmo o caixa do banco se recusou a receber a taxa da inscrição, quando notou que o concurso era para ingresso de mulheres na FAB. “Ele não quis receber, disse que ‘isso’ [a entrada de mulheres na instituição] era um absurdo. Foi preciso chamar o gerente da agência para efetivar a inscrição”, comenta.

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O fato deixou a suboficial apreensiva e Márcia se questionava o que estava fazendo. “Vencer os preconceitos foi bem intenso. Penso que todos esses desafios foram meus maiores motivadores. A expectativa ao entrar no curso era de ter o respeito e credibilidade que os homens recebiam. Somos mulheres, vestimos azul. Nós podemos também”, ressalta a militar, pertencente à primeira turma de graduadas. A Suboficial Márcia não só se formou, mas também realizou curso de paraquedismo na Força Aérea.

Atualmente, ela percebe uma mudança no pensamento sobre as mulheres nas Forças Armadas. “Hoje, as mulheres encontram um ambiente acolhedor compatível com a mudança social - que também já está estabelecida. O quartel é um lugar de homens e mulheres. Amei a carreira que escolhi”, assegura.

Primeira Turma de Mulheres Intendentes da FAB - 1996
Uma parte do projeto de compra do novo caça da FAB, o Gripen NG, passa pelas mãos da Major Larissa Caldeira Leite Leocadio. Formada em Administração, na Academia da Força Aérea (AFA), e Mestre em Negócios Internacionais, ela pertence à primeira turma mista do Quadro de Oficiais Intendentes da FAB.

“Estava estudando para vestibular de medicina e engenharia mecânica quando meu pai soube do ingresso de mulheres para AFA. Eu abracei a ideia imediatamente”, relembra a major que prestou os três vestibulares, passou e se matriculou nas três opções. “O curso na Academia começou primeiro, fui para ver como era, e depois de estar inserida naquele contexto decidi não abandonar. Sempre quis fazer alguma coisa pelo meu País. Vi na oportunidade de trabalhar na Força essa possibilidade”, explica.

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A major conta que o início da carreira foi desafiador. “Fui chefiar a Seção de Suprimento do Parque de Material Aeronáutico do Galeão. Eu tinha 21 anos, era chefe de 15 graduados, com anos de experiência na FAB. Trabalhava com aquisições para os aviões KC-137, KC-130, C-99, R-99, AMX. Essas aeronaves, além de grandes, eram de projeção na FAB. Achava muito relevante minha atividade, e acho até hoje, pois está diretamente ligada à atividade-fim da Força”, detalha.

Primeira Turma de Aviadoras da FAB
“Diversas pessoas, ainda hoje, surpreendem-se em saber que existem mulheres pilotos, especialmente na aviação de caça”. As palavras acima são da Capitão Carla Alexandre Borges. Ela transformou o sonho de criança em realidade ao se tornar umas das primeiras pilotos de caça do Brasil. No ano em que estava prestando vestibular para Engenharia no IME e no ITA, a AFA abriu concurso para mulheres na aviação.

A vida militar era algo novo e a então Cadete Carla sabia que enfrentaria provações e obstáculos. “A distância da família e dos amigos, noites em claro estudando e poucos momentos de lazer foram sacrifícios necessários. Ser piloto da FAB, em especial de caça, foi o coroamento de uma vida de desafios. Não me imagino em nenhuma outra profissão, nem realizando qualquer outro tipo de trabalho. Digo com convicção que valeu a pena cada segundo”. A aviadora já voou os caças A-29 Super Tucano e A-1.

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“Provamos que temos as mesmas capacidades de qualquer outro piloto e nos dedicamos da mesma forma. Hoje, somos vistas não como mulheres aviadoras, mas sim como pilotos militares, prontas para cumprir com excelência as missões que nos forem determinadas”, complementa.
Atualmente, a FAB possui pilotos mulheres nos mais diversos tipos de aviação militar.

A História da Mulher no Exército

A história da Coronel Médica Carla Lyrio Martins com a FAB começou em um estádio de futebol. “Na prova escrita - sentada na arquibancada do Estádio do Vasco, lotada de candidatos - pude perceber a dimensão da escolha que estava fazendo para minha vida”, explica a militar, fazendo referência ao primeiro concurso para médicos em igualdade de concorrência entre homens e Mulheres na FAB.

Primeira Passagem de Comando de Unidade entre Mulheres Oficiais da FAB
O pioneirismo sempre esteve presente na carreira da militar. Ela foi a primeira mulher a comandar uma unidade da FAB. Foi em 2015, quando assumiu a direção da Casa Gerontológica de Aeronáutica Brigadeiro Eduardo Gomes (CGABEG), no Rio de Janeiro. Este ano, em fevereiro, a Coronel Carla participou de mais um marco ao transmitir o cargo na CGABEG a outra militar, configurando a primeira passagem de comando entre mulheres na FAB.

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Formou-se militar em uma turma composta, além de médicos, por dentistas e farmacêuticos. Após realizar um curso de especialização em Medicina Aeroespacial, foi trabalhar em um esquadrão de caça, em Santa Maria (RS). “Tinha 24 anos. Tive o privilégio de ter sido a primeira mulher aeronavegante com função a bordo de uma aeronave de caça. Meu primeiro voo foi uma missão operacional de reconhecimento. Entusiasmo é o que me move. Gosto do que faço, faço com empenho e aceito desafios. Sou grata e me sinto honrada em servir à Força Aérea”, reforça.

Alunas da Primeira Turma de Mulheres na EPCAR - 2017
A abertura de vagas para a entrada de meninas na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) não poderia ter vindo em melhor hora para Milena Zambaldi do Nascimento Lara. Aos 16 anos, viu o sonho de pertencer à aviação militar ficar mais perto. Isso porque a instituição, de ensino médio da FAB localizada em Barbacena (MG), permite aos alunos ingresso direto - após a conclusão dos estudos - na Academia da Força Aérea (sem a necessidade do vestibular).

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“Mulher sempre está à procura de novas oportunidades. Com a abertura das vagas, pude ir atrás do meu sonho. Estou muito honrada de pertencer à primeira turma de meninas na EPCAR. Isso demonstra como a mulher tem aderido cada vez mais ao mundo militar. É um novo passo e espero ter sucesso na carreira”, ressalta a aluna Milena.

Fonte: FAB
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